quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Apagar

Meu impulso, ao localizar este blog, foi de tentar apagar. Coisas públicas, sem muito objetivo nem que sejam visitados não fazem nenhum sentido...
Sentido?
Achei um comentário da minha filha que me fez reavaliar. Em 2010 eu estava muito confusa e aquele comentário foi um alento, doce e terno.
Além de ver várias imagens, desenhos meus, que não costumo mostrar, faço e guardo...
Sei que não tenho seguidores, sei que não persigo notoriedade. Mas ver minha tentativa de me mostrar, de fazer sentido, me levou a reavaliar e a dar a este espaço a chance de me ajudar a descobrir o que me move.


sábado, 10 de setembro de 2011

Sobre a foto no título

Trata-se de Pompéia.
Significa, para mim, uma beleza reconstruída, que veio à tona, depois de uma catástrofe. Testemunha de um tempo de antigas grandezas, hoje em ruínas. Congelada.
Misteriosa, inspiradora. Recriar o passado de fragmentos, entender. Apreender o cotidiano, a impermanência e a imortalidade frágil das pedras.


 
 Foto: Mosaico em um triclinium, em Herculanum



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Casa azul

Casa Azul - Marc Chagall

Minha casa era azul. Ficava no topo de uma penha. Era uma vila, quase uma cidade do interior dentro da cidade maior. As pessoas andavam nas ruas e minha filha dizia que eu e meu pai éramos os mais branquinhos da rua. Porque éramos todos morenos ou negros. 
A construção dessa casa foi sobre os escombros de uma desilusão, carregada de profundezas. Remeteu à morte, à rejeição. Havia violência, coisa conhecida, modo ancestral de receber alguma atenção. 
Houve pouca opção, afinal era aquilo ou um retorno ao teatro infantil, familiar, onde meu papel não me cabia mais. Então me movi e trabalhei, trabalhei muito. Recebi apoio do meu pai, me submeti, tomei decisões, projetei, realizei. 
A escolha da cor foi minha: azul fiorentino. Molduras brancas nas janelas, quadriculadas. Meu maior luxo, uma bay-window, que por 10 anos ficou sem revestimento. Era uma proa de navio sobre a cidade, sobre as luzes da cidade. Houve várias madrugadas em que, insone, deitei-me sob a luz das estrelas, mirando o horizonte longínquo até que a claridade do sol começasse a despontar no leste. 
Desde a amenidade da temperatura no verão ao sol que aquecia meus pés gelados no inverno, essa era uma casa construída para ser minha. De uma geografia peculiar, que, na opinião de uma amiga arquiteta tinha um traçado labiríntico que não favorecia a convivência, o que se pode dizer? Não se pode dar o que não se recebeu. 
Dormimos a primeira noite, juntas na mesma cama, minha filha e eu. O medo era certamente maior em mim. A casa de meus pais, sendo construída no pavimento superior, ainda demoraria meses para ficar pronta. Éramos uma mulher de 27 anos e uma menina de 4. Um cachorro vira-lata no quintal só para dar alarme. E o bairro silencioso a tal ponto que escutávamos a conversa dos passantes. 
Vi a alegria renascendo no rosto da minha filha, privada de seus brinquedos por um ano, o tempo que durou a construção. A reconstrução da minha vida. 



terça-feira, 2 de agosto de 2011

to feliz

To feliz, tô feliz... Promessas de normalizar a vida, talvez conquistas, talvez... Ficar, ficar e não mais a insegurança de ter que voltar. Quiçá...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

De volta de BH, minha cidade natal mas já não sinto mais como "minha" cidade. Apesar de lento, o processo de desenraizar de lá continua. Gosto do clima, nessa época um friozinho gostoso, gosto dos cheiros, das cores, me relaxa. Mas chegar ao Rio, sentir o cheiro do mar, a umidade do ar, os ruídos, tudo isso me deu uma gostosa sensação de estar em casa.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Gostava (gosto) de dar opinião sobre tudo. Saber o que está acontecendo, no bairro ou no mundo, pra me posicionar, sempre foi um traço meu. Me sinto abafada, se não me expressar. Mas estou tentando mudar. Já fiz muita inimizade e me lancei em situações aborrecidas, desconfortáveis, desnecessárias por isso. Estou pensando em como sair da palavra à ação.